Nova York Estados Unidos
Como uma mulher consciente de seu poder de sedução,
ela sempre dá as cartas. E lhe faz dependente dela de um jeito quase
mortal, totalmente inesquecível. Nova York é mais ou menos assim. Uma
metrópole daquelas descaradas, que joga todas as suas opções no colo
dos visitantes, sem pudor. Desbravá-la pelo uptown esnobe ou pelo
downtown descolado é uma decisão particular que pouco importa: a cidade
vai lhe fazer fiel, submisso e feliz.
O visitante vai descobrir mais um segredinho das
mulheres sedutoras: se entrar nesse universo requer paciência, sair dele
exige um espírito forte. Nem taxistas perdidos ou filas imensas em museus
e atrações turísticas parecem capazes de quebrar a sedução.
Talvez por essa relação passional, a metrópole siga
firme e forte como a grande vedete americana. Somente em 2003, a Big Apple
recebeu 3,9 milhões de turistas estrangeiros - 66 mil brasileiros.
Aproveite esta época de calor do hemisfério Norte para conhecer a
cidade. Programas ao ar livre - como um passeio no Central Park ou um
roteiro básico pela Quinta Avenida - são sempre mais agradáveis com
altas temperaturas.
Para quem quer salvar uns trocados, a dica é
aproveitar agora: a cidade está cheia de promoções, os museus têm
descontos de até 50% e há atrações ao ar livre por toda parte.
É agora, por exemplo, que Shakespeare vai ao Central
Park. O musical "Two Gentlemen of Verona", inspirado na obra do
bardo inglês, segue até 11 de setembro no Delacorte Theater, que fica
dentro do parque. Os ingressos são distribuídos nos dias das
apresentações no Delacorte e no Public Theater. As filas são
gigantescas, e os interessados começam a chegar às portas dos teatros a
partir das 6 horas. Mas vale a pena, e é de graça.
Se o seu perfil for algo mais "culturete", os
museus de Nova York também estão oferecendo promoções. No Bronx Museum
of Arts, por exemplo, duas pessoas entram pelo preço de uma, mesma
vantagem oferecida no Brooklyn Museum. A maioria, como o Skyscraper Museum
e o Guggenheim, está dando 15% de desconto.
Mas se você for como grande parte dos turistas que
seguem para a Big Apple, vai querer mesmo é experimentar a variedade
gastronômica local. E também terá descontos! O Battery Gardens,
simpático restaurante dentro do Battery Park, ponto de partida das balsas
que levam para a Estátua da Liberdade, está dando desconto de 15% no
jantar. Há promoção em tours, peças de teatro, lojas, shows e até em
serviços. Confira a lista dos estabelecimentos participantes no www.nycvisit.com.
Passeios imperdiveis por terra, água e nas alturas de
Nova York:
BONEQUINHA NA QUINTA AVENIDA Para quem adora vitrine,
Nova York é o paraíso. O comércio mais sofisticado está em Midtown. O
endereço das marcas mais cobiçadas do planeta atende pelo nome de
Madison Avenue, lugar que ostenta Chanel, Versace, Valentino, Prada e
Roberto Cavalli. Na Quinta Avenida estão as lojas oficiais da Disney e da
NBA, de departamentos, como a Sack's. Se você quer dar um toque de
glamour completo, vale seguir para a Tiffany (na esquina da Quinta Avenida
com a 57) e personificar Audrey Hepburn no filme "Bonequinha de
Luxo" (1961).
ROLANDO NO CENTRAL PARK O parque encravado em Uptown
Manhattan revela muito da alma dos nova-iorquinos. Eles simplesmente amam
esse pedaço verde inaugurado em 1870. Talvez por isso, o Central Park
apareça em quase todas as produções de cinema rodadas na cidade. O
surpreendente deste lugar é que foi construído onde antes era um terreno
pantanoso e demorou 20 anos para ficar pronto. Alguns lugares valem a
visita, como o Strawberry Fields (West 72nd St), um pequeno jardim em
homenagem a John Lennon. Há, ainda, o Tavern on the Green, famoso
restaurante na entrada da 67, um zoológico e muito mais.
TARDE DEMAIS PARA ESQUECER Cinéfilos vão se lembrar
do quase encontro entre Cary Grant e Deborah Kerr em "Tarde Demais
para Esquecer" (1957) no Empire State Building (350, Quinta Avenida).
Ou de "King Kong" escalando o prédio e apavorando Nova York. O
Empire State é um ícone que não pode ser deixado de lado em sua visita.
Construído durante a depressão, nos anos 30, e erguido em apenas um ano
e 45 dias, foi, durante muito tempo, o mais alto e menos prestigiado
prédio do mundo. O que salvava o gigante era o observatório, no 86º
andar. O problema, porém, são as filas.
NO TOPO O observatório do Rockefeller Center, o Top of
The Rock, que tem uma vista mais do que espetacular para o Central Park. A
259 metros de altura, do 70º andar, o visitante poderá ver a cidade em
360 graus. O observatório abriu ao público pela primeira vez em 1933 e
foi fechado em 1986. Agora, promete a reabertura com toques de tecnologia.
A novidade é que o visitante vai receber um tíquete com código de
barras com data e hora marcadas para visitas pré-agendadas, justamente
para evitar filas.
NA ÁGUA No estilão dos táxis americanos, com aquele
visual amarelão, o water taxi leva os visitantes para uma outra
perspectiva de Manhattan - a partir da água. Dos Rios East e Hudson, o
skyline da cidade é ainda mais bonito e, no meio do caminho, os
visitantes ainda passam por monumentos como a belíssima Ponte do Brooklyn.
O legal do water taxi é que é possível comprar um passe que dá direito
a dois dias de diversão, com embarque e desembarque em vários píeres,
por US$ 20.
Estando em Nova York há cinco museus que são de
visitação quase obrigatória:
AMERICAN MUSEUM OF NATURAL HISTORY Perfeito para os
pequenos. Com quatro andares, está ao lado do Central Park e tem tudo que
seu filho sempre quis saber sobre fauna e flora e você nunca soube como
responder. Entre dinossauros e animais da selva, há uma mostra sobre a
Amazônia brasileira e peruana. Outra área que mexe com a garotada é o
primeiro andar, com cenários da evolução da vida marinha. Grande aula
de biologia.
BROOKLYN MUSEUM Eis uma grande surpresa. O Brooklyn
Museum não faz feio a nenhuma investida cosmopolita de Manhattan. Depois
da exposição de Basquiat, no início do ano, divulgada no mundo inteiro,
o lugar traz, agora, uma mostra sobre os anos londrinos de Monet (até 4
de setembro). Ponto também para as coleções de arte africana,
americana, de pintura renascentista e de esculturas egípcias. O lugar
conta, ainda, com obras de Degas, Cézanne e Picasso, entre outros
artistas.
GUGGENHEIM MUSEUM Talvez o mais famoso seja o de
Bilbao, na Espanha, mas esse Guggenheim de Nova York merece uma visita. De
arquitetura arrojada - a grande atração, na verdade -, idealizada por
Frank Lloyd Wright, foi inaugurado em 1959. A partir de 16 de setembro,
uma mostra sobre arte russa toma suas principais galerias.
METROPOLITAN MUSEUM OF ART Sob o slogan 5 mil anos de
arte, o Metropolitan, ou Met, para os íntimos, é imperdível. No
mínimo. O classudo museu é programão de dias inteiros. Não há de
faltar o que ver. Na galeria dedicada aos pintores europeus, por exemplo,
há nada menos que 37 Monets, 21 obras de Cézanne e 5 pinturas de Vermeer,
o que faz do Metropolitan o museu que mais possui obras do artista
holandês. A escultura européia também está bem representada por lá,
com 50 mil objetos. A área dedicada à arte greco-romana conta com outros
35 mil trabalhos, do período neolítico até o ano 312 antes de Cristo.
MUSEUM OF MODERN ART Idealizado nos anos 20 por John
Rockfeller Jr., entre outros influentes da época, o MoMA é uma
instituição de Manhattan. O museu ficou 14 meses fechado para reforma e
ampliação e reabriu há menos de um ano. Continua um programa de dia
inteiro. Há exposições de arquitetura e design, desenhos, pintura e
escultura, fotografia e uma mostra de filmes. Há esculturas de Gaudí,
quadros de Miró e um cobiçadíssimo Picasso.
Quinze museus de Lower Manhattan (região onde ficavam
as torres gêmeas) se uniram para vender um único produto: cultura.
É possível passar por todos: a caminhada leva uns 10
quilômetros e começa no Museum of Jewish Heritage - A Living Memorial to
the Holocaust (museu judeu, que conta com mais de 2 mil fotografias no
acervo) e termina no The New York Fire Museum (sobre artefatos
relacionados a bombeiros - há um memorial dos profissionais que morreram
no 11 de setembro).
Ali estão os museus mais curiosos, como o The
Skyscraper Museum (do arranha-céu), o Museum of American Financial
History (com objetos de Wall Street), The New York City Police Museum (da
polícia americana) e o Museum of Chinese in the Americas (história dos
chineses).
Visite, ainda, um forte de 1812, o Castle Clinton
National Museum, que serviu de opera house, complexo de entretenimento,
centro de imigração e aquário. Na lista estão também a Estátua da
Liberdade e o Ellis Island Immigration Museum, o antigo posto de
imigração de Nova York - entre 1892 e 1954, cerca de 12 milhões de
imigrantes passaram por Ellis Island.
Mais informações sobre os museus de Lower Manhattan
no site www.nystartshere.org.
Faça um roteiro sem preconceito pelo Bronx e Harlem: O
som alto dentro do ônibus não incomoda os cerca de 30 passageiros. Pelo
contrário, eles estão lá exatamente para isso: ouvir música e aprender
a história do hip hop. Aos poucos, japoneses, alemães e canadenses
entram na batida do rap. É difícil segurar a vontade de ensaiar uns
passos de break. Assim começa o Hip Hop Tour, roteiro criado há três
anos que passa pelo Bronx e pelo Harlem.
Esqueça aquelas cenas violentas de filmes americanos
em que o Bronx é o mais próximo que se pode chegar do inferno. Pelo
menos durante o tour tudo é muito tranqüilo. Há certa pobreza, se
comparada com a ostentação de Manhattan, mas nada que assuste.
O roteiro é comandado sempre por alguém ligado ao hip
hop. Para começar, é bom saber que o hip hop se baseia em quatro
fundamentos: os b-boys, garotos que dançam o break; a arte do grafite; o
DJ e o MC, que faz as rimas das músicas.
Com esses elementos na cabeça e o som no último
volume, é hora de partir para alguns dos lugares que fizeram história
nos 32 anos do hip hop em Nova York. O movimento começou em agosto de
1973, quando Cindy Campbell decidiu fazer uma festa em seu apartamento, na
avenida Sedgwick, no Bronx. Seu irmão, o DJ Kool Herc, inovou na batida,
criando um esboço do hip hop. Seria a primeira festa do movimento. A
partir de intensa propaganda boca a boca, a festa tomou alguns
quarteirões do bairro.
O tour passa por esse e outros lugares imortalizados na
história do hip hop. Muitos não existem mais. A primeira parada, porém,
é no Hall da Fama do Grafite, na esquina da 106 com a Park Avenue, em
Spanish Harlem. Neste momento, um figura da arte de desenhar com spray
tenta ensinar os desajeitados visitantes a grafitar.
O tour termina no Bronx, na Grand Concourse Avenue,
onde há uma espécie de Walk of Fame, uma homenagem às pessoas famosas
ligadas ao bairro, como o ex-secretário de Estado Colin Powell, que
nasceu lá.
Nenhuma outra cidade oferece tantas opções quando a
idéia é sair do script e apostar no inusitado. Em Nova York, quase tudo
é permitido. Você já se imaginou remando ou andando a cavalo em pleno
Central Park? Sim, isso é possível. Quer ver um jogo de beisebol?
Provavelmente, não há lugar melhor no mundo para isso do que o Estádio
dos Yankees. Procura livros específicos da comunidade gay? É só passar
na Oscar Wilde Memorial Bookshop. A lista de curiosidades é infinita.
Localizado no Bronx, o Estádio dos Yankees é uma
instituição. Desde 1923, quando foi inaugurado, atrai até gente que
não entende nada do esporte. Se esse for seu caso, não faça cara feia.
É no mínimo divertido ver como os nova-iorquinos sofrem com a equipe. Se
preferir só conhecer o lugar, há tours guiados.
Se você preferir uma experiência menos americana, a
dica é passear numa gôndola italiana pelo Central Park. A Loeb Boathouse
aluga as gôndolas para um tour romântico no pôr-do-sol por US$ 30, meia
hora. Remar num barco simples custa um pouco menos: US$ 10, por uma hora.
Também é possível andar a cavalo no parque-símbolo
da cidade. A Claremont Riding Academy aluga os animais para quem quer ter
essa experiência. O preço, porém, não é lá dos mais simpáticos: US$
110, por uma hora.
Há um paraíso de lojas para públicos específicos ou
de artigos esquisitos nas ruas de Manhattan. Na primeira categoria, uma
das mais festejadas é a auto-intitulada primeira livraria gay do mundo, a
Oscar Wilde Memorial Bookshop, no Greenwich Village. Aberta desde 1967,
tem títulos específicos para a comunidade gay.
Feche sua viagem com um roteiro pela região da Times
Square, aquela dos outdoors que parecem ter todas as luzes do mundo. E
inclua, claro, os teatros da Broadway. Afinal, um giro por Nova York só
fica completo depois que se experimenta pelo menos um pouco do burburinho
dessa área, sempre apinhada de turistas. As opções de tours guiados
são as mais divertidas.
Um dos mais bacanas - e baratos - é o Walkin'Broadway.
Munidos de um walkman, os turistas escutam depoimentos de diretores e
produtores de teatro enquanto caminham. De fundo musical, algumas
músicas-tema de produções memoráveis. Há duas opções de passeio:
para o Norte, entre as ruas 46 e 52, e para o Sul, entre a 42 e a 46. Cada
um dura aproximadamente 1 hora. Custa US$ 12 por pessoa. Mais
informações pelo site www.walkinbroadway.com.
Quem quer aprender um pouquinho sobre o processo de
produção das peças, desde a audição para a escolha dos atores até a
estréia, passando pelo design do cenário, deve investir no
"Broadway Behind the Curtain", promovido pela Friend In New
York. O tour inclui curiosidades como o teatro pé-quente, o que não traz
sucesso e até a melhor maneira de se conseguir um lugar para a peça mais
concorrida da temporada. Dura duas horas e custa US$ 290, para um grupo de
seis pessoas.
Empolgou-se com os bastidores da Broadway? Então, seu
próximo passo é seguir para o Center Stage, também da Friend In New
York. Nesse circuito, os turistas acompanham técnicos e produtores
durante o trabalho, conhecem o figurino de uma peça e passam por uma
escola de atuação. Dura quatro horas e, portanto, é para quem gosta,
mesmo, do assunto. A partir de US$ 90 por pessoa. Mais informações sobre
os dois circuitos no site www.friendny.com.
Quinze teatros estão no tour Broadway Open House.
Nele, é possível conhecer os bastidores de duas casas de espetáculos e
saber um pouco mais dos astros e estrelas que pisaram naqueles palcos. Um
diferencial bacana são os guias especializados em design, que falam sobre
a arquitetura da região. Leva aproximadamente duas horas. Mais
informações no site www.livebroadway.com.
O sucesso da Times Square começou em meados de 1880,
quando Oscar Hammerstein ergueu o Teatro Olympia na região, então
abandonada. A atitude inspirou outros executivos e, em pouco tempo, a
área foi tomada por uma dúzia de casas de espetáculos. A
revitalização completa, porém, só começou quando o jornal "The
New York Times" se mudou para lá, em 1904. A degradação voltou nos
anos 60, com a chegada de prostitutas, peep shows e cinemas pornôs.
Tornou-se o símbolo da decadência. Tudo mudou em 1990, quando o prefeito
Rudy Giuliani baniu essas casas.